37 semanas

O palpite da vez é o de que Raoni vai chegar antes de completar as 40 semanas. Há quem diga que vai ser antes mesmo das 39 semanas. Eu peço diariamente, fazendo carinho na barriga, para que Raoni espere e não tenha pressa. Mamãe ta cansada e eu me pegava a esse fato para justificar o meu desejo de que ele chegue próximo das 40 semanas… Cansaço, vontade de ir a praia, tantas coisas para arrumar… não faltavam desculpas.

Mas Chico fez três anos e Ana Vilela escreveu a música Promete. E aí, escutando essa música agorinha mesmo, chorei. E só não chorei mais e deitada em posição fetal, porque estou no trabalho. Chorei, porque essa música é linda e parece que foi feita pra Chico. Chorei porque o tempo ta voando e Chico ta crescendo rápido demais. Chorei porque a ficha caiu e eu entendi: eu ainda não tô pronta pra ser mãe de dois. E como é difícil entender e aceitar isso.

No final das contas, eu quero que Raoni chegue perto das 40 semanas porque eu ainda não estou pronta pra me dividir.

Promete que não vai crescer distante
Promete que vai ser pra sempre assim
Promete esse sorriso radiante
Todas as vezes que você pensar em mim

Promete cuidar bem dos seus cachinhos
E sempre me abraçar quando eu chegar
Promete sorrir sempre com os olhinhos
E cantar cantigas na sala de estar

Que eu prometo ser pra sempre o seu
Porto seguro
Eu prometo dar-te eternamente o meu amor

Promete aproveitar cada segundo
Desse tempo que já passa tão veloz
Me lembro quando você chegou nesse mundo
Sorrindo aos poucos quando ouvia a minha voz

E hoje corre pela sala
Brinca de existir
Giz de cera, pega-pega
Eu só sei sorrir
Ao imaginar você
Crescer
Para um pouco com a bagunça
Deixa eu te olhar
Que o tempo voa e olha só
Você sabe falar
E diz tudo que eu preciso escutar
Laialaiá

Promete ser pra sempre o meu menino
Me deixar cantar pra te fazer dormir
Que eu prometo que vou te cuidar pra sempre
Eu te amo infinito
Meu guri

 

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Chico faz 3

Há três anos trabalhávamos juntos para você chegar ao mundo. Foram 12 horas de contrações, lágrimas, vocalizações, olhares, toques, risadas, silêncio, palavras de incentivo… Muita respiração consciente… Muitos medos, dúvidas… Algumas certezas… A maior destas certezas, meu amor por você, superava qualquer medo, qualquer dúvida.
Desde então a gente vem construindo, sempre juntos, nossa história, do nosso jeitinho. Sempre trocando ensinamentos. Enquanto você cresce, eu cresço junto. Quem ensina mais, eu ou você? Acho que você.

Nem nos meus melhores sonhos eu poderia ter te imaginado assim, tão maravilhoso. Que delícia ver você crescendo, descobrindo o mundo e sendo tão único e especial.

Eu te amo filho, de uma forma que não sei nem explicar! Como é possível amar tanto assim? O tempo passa rápido demais, você cresce rápido demais… E mesmo existindo momentos incrivelmente difíceis e cansativos, eu não mudaria nada, nem um dia, nem uma decisão… Porque acertando ou errando, foram estes momentos vividos e as escolhas feitas que nos trouxeram até aqui. E eu amo onde a gente está, como estamos e somos.

Aquele clichê: o aniversário é seu, mas o presente é meu.

Que a vida seja boa com você meu filho; que sua luz continue a brilhar e a encantar; que o mundo continue sendo seu parquinho; que a criatividade sempre te acompanhe.

Eu te amo.
Feliz aniversário filho!

#chicofaz3

Uma das coisas mais legais e importantes, pra mim, nessa nova gestação são as aulas de tecido.
Um tempo e espaço onde eu e Chico somos bem acolhidos, onde ele ser criança não é problema, onde eu posso me exercitar, desafiar… São algumas horinhas incríveis!
Chico ama o tecido. Sempre quer ir, brinca e aproveita muito. Ele tem muita energia, MUITA mesmo. Mas isso não costuma ser um problema. Ele me obedece, obedece às outras pessoas… É massa de ver.
Mas nem tudo são rosas. E os 3 anos, apesar de serem incríveis, podem ser BEM difíceis… E hoje foi um dia daqueles.
A priminha tá aqui, ele ficou eufórico! Na aula ele tava impossível. Não obedecia, não compartilhava, gritava e tentava chutar a cachorra… Eu já tava ficando louca!
No final da aula, quando fui tirar a foto pra mostrar a barriga, ele deu aquele show. O tecido era dele, ele que ia ficar ali, chorou, berrou… Só deu sossego quando colocamos ele em outro tecido.
Depois não quis ir embora, a casa de tia Malu é mais legal, a casa do papai é chata… Choro… No carro, mais energia, mais cansaço. SOCORRO!!
Quando Teixeira volta pra casa mesmo?! Hahaha
Almoço, mais loucura. Banho, mais loucura. Um pouco mais de choro, peito e … ufa, dormiu!!!
Nem todo dia é fácil e gostoso. É acho importante a gente falar daqueles dias que cansam e levam a gente ao limite. Dois filhos?! Duas vezes mais difícil, imagino eu. Mas tenho uma certeza: duas vezes mais gostoso!

Olhos fechados

Tem uma coisa que me fascina no médico que acompanha a gente desde a gestação de Chico: o fato dele fechar os olhos quando está me examinando.

Nossos caminhos só se cruzaram na metade da gestação de Chico, foi amor a primeira consulta. Enquanto a médica que vinha acompanhando a gente antes dele precisava lambuzar toda a minha barriga e caçar os batimentos cardíacos de Chico, ele fechava os olhos, apalpava a barriga, alisava, sentia.. ali, no silêncio…. colocava uma gotinha de gel e… tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Ainda lembro da minha cara de espanto e da de Teixeira, da nossa troca de olhares e de como comentamos isso quando saímos do consultório.

Quando eu caí grávida de Chico e reclamei da perna inchada e dura, ele sentou no chão e de olhos fechados examinou minhas pernas, calmamente… 10 minutos, talvez 15. Olhos fechados, apalpando, contando pulsação. Olhos fechados, entrega, concentração.

 

Nesta última terça-feira, 03 de outubro, fomos a uma consulta com ele. Mas uma vez olhos fechados, apalpou e sentiu minha barriga, percebeu Raoni. Uma gotinha de gel e tum-tum tum-tum tum-tum. Um sorriso “nossa, como ta mexendo”. Olhos fechados de novo. A gente grava os batimentos pra mostrar pra Chico a noite. “Quantas semanas mesmo?” respondo “34 hoje”. Fecha o olho de novo, apalpa, sente… Olho no olho, um sorriso, me estende a mão e me ajuda a levantar.

10 anos de Isthar RMR

Na última sexta-feira, 29 de setembro, o Ishtar-RMR completou 10 anos e para celebrarmos a data, organizamos um encontro lindo, com pintura na barriga, roda do Mãe Nutriz, lanche colaborativo e uma roda de relatos sobre a importância do Ishtar na gestação e parto de mulheres que já passaram por nossas rodas.

A roda tava recheada de buchodas acompanhadas de seus companheiros, crianças com suas mães, pais, avós… Foi delícia de ver, de ouvir, de sentir. Dá gosto fazer parte de um grupo desses.

Mas no dia eu estava como coordenadora do grupo, e não dei meu relato. Mas hoje, sento aqui pra escrever sobre a importância do Ishtar na minha caminhada. Este é meu presente pra este grupo. Espero que gostem.

 


 

Eu, Teixeira, Chico e o Ishtar – e agora Raoni!

Nós começamos a frequentar o grupo já na metade da gestação de Chico, em 2014. Nossa primeira roda foi sobre o documentário O Renascimento do Parto, a segunda roda trabalhamos nossos medos… Teve roda sobre sexualidade e tantas outras que nos rechearam de informações e inquietações, que formaram a base da nossa caminhada. O que o Ishtar nos deu, foi instrumentos para que nós dois pudéssemos estudar, questionar e fazer nossas escolhas de forma consciente.

Foi na roda do ishtar que nós conseguimos o contato do nosso obstetra e das nossas parteiras. de forma prática, foi ali que nosso parto começou a tomar corpo.

Mas pra mim, o que ficou marcado não foram as evidências científicas que as coordenadoras nos apresentaram. Foi bom e importante aprender sobre a gestação, sobre a fisiologia do parto, sobre amamentação e escutar sobre o puerpério pela primeira vez. Mas o que me marcou e me transformou foi aprender que parto é mais do fisiologia, parto é mente e coração; é presente, mas também é passado e futuro – meu, de Teixeira, de Chico, das mulheres da minha família; parto é transição, morte e (re)nascimento; parto é passagem, ritual.

Outra coisa que tenho muito certa e clara, na mente e no coração, é de como as rodas foram importantes para que Teixeira abraçasse a ideia, entendesse meus processos e me apoiasse e respeitasse o tempo todo. Foi com base nos conhecimento adquiridos nas rodas que Teixeira virou defensor do parto humanizado, do direito de escolha da mulher, da amamentação em livre demanda e exclusiva até os seis meses… foi ali nas rodas que Teixeira escutou falar sobre cansaço, sobrecarga e diminuição da libido (relacionada a amamentação, cansaço… e que pode durar mais de um ano) e isso fez com que ele fosse extremamente compreensivo com cada momento meu. Estar nas rodas iniciou um processo de desconstrução em Teixeira que tem sido lindo de acompanhar.

Chico nasceu, mas eu não me desliguei do Ishtar. Encontrei no grupo virtual um afago que eu sentia falta nos primeiros meses como mãe. Ali encontrei outras mulheres que passarão ou estavam passando pelo mesmo que eu e entendi, mais uma vez, que não estava sozinha.

Voltamos a frequentar as rodas em assuntos como relato de parto, amamentação e volta ao trabalho, participação do pai no parto e puerpério… A verdade é que entramos na humanização com passagem só de ida.

Dois anos depois de ter entrado no Ishtar como gestante, fui convidada para fazer parte da coordenação deste grupo! Que presente! A roda de 9 anos do Ishtar, que foi de relatos de parto, foi uma das minhas primeiras – senão a primeira – roda como coordenadora. Pode parecer besteira, mas pra mim, este convite é especial, significativo. É bom demais trabalhar com o que a gente acredita e ama, ainda mais do lado de pessoas que a gente ama e admira.

Porque é isso, além de conhecimento, segurança e um novo objetivo de vida, o Ishtar me deu amigas, gente em quem acreditar, me inspirar, confiar. Laura, Polly e Ana foram presentes. Mulheres fortes, de bom coração, dedicadas a causa… E cara, como elas tem me ajudado nessa nova gestação ❤

Especial é fazer parte, mais uma vez, como gestante desse grupo. Gestante e Coordenadora. Mãe de dois bebês Ishtar.

Se você me perguntar como eu definiria o Ishtar, eu diria que este é um espaço de transformação. Isso se você quiser e permitir.

 


 

Na verdade eu queria mesmo era ter escrito este texto na sexta-feira, mas a vida tá corrida e tumultuada… então ficou pra hoje. Mas não tem dia certo pra gente ser grato, né?

Vida longa ao Ishtar!

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E ele sabe cuidar?

Eu adoro falar sobre minha trajetória como mãe. Gravidez, parto, criação… são assuntos que eu poderia discutir por horas, dias… Mas se tem uma pergunta que me tira do sério é “e ele sabe cuidar?”. Eu entendo da onde vem essa pergunta, entendo todo o contexto… mas ela me irrita profundamente… e, infelizmente, essa é uma das perguntas que mais me fazem quando ficam sabendo que meu trabalho envolve viagens e que nestes períodos que preciso me ausentar Chico fica sozinho com o pai…

 

– Com quem seu filho fica quando você tá fora?

– Com o pai.

– E ele dá conta / sabe cuidar / consegue? (coloque aqui a sentença que preferir)

– É claro! Ele é o pai afinal de contas! (minha resposta desde sempre)

 

E hoje eu comecei o dia ouvindo isso de uma colega de trabalho. E não satisfeita, depois da minha resposta, ela ainda completou com:

 

– Mas ele sabe trocar fralda, dar leite…?

– Lógico! Ele é o pai!

 

Eu não lembro de ninguém me perguntando se eu dava conta, se eu sabia trocar fraldas, dar banho, acalmar meu filho. As pessoas simplesmente presumiam que eu daria conta, simplesmente porque eu sou mulher e por isso eu sei ser mãe, cuidar de outro ser.

Mas Teixeira, por ser homem, coitado, não é capaz de cuidar do próprio filho. Só que não!

Já passou da hora desse pensamento deixar de existir, né? Precisamos cobrar mais dos homens para que eles assumam seus papéis como pais e que entendam que trocar fralda, acordar de madrugada, faltar no trabalho por causa de médico ou doença… não é mais do que a obrigação deles.

 

 

Visto-me de mim.

Há umas semanas eu recebi o convite de uma fotografa que conheci na festinha de São João da escolinha de Chico: posar para um projeto dela, Visto-me de mim. Um projeto que tem como objetivo exaltar a beleza natural da mulher através de fotos sensuais e de lingerie.

Fiquei super animada e topei na hora. Mas com o tempo, o conflito com o espelho e a timidez me fizeram duvidar de que eu daria conta de realizar esse ensaio. Não me vejo como uma pessoa sensual, não sei posar (fico sem saber o que fazer com meu corpo, sempre me sinto estranha e anti-natural) e, mais do que nunca, andava brigando com a imagem que via no reflexo do espelho.

Mas encarei. Vi nessa oportunidade a chance de, mais uma vez, fazer as pazes com meu corpo. Resolvi me dar essa chance e quer saber? Ainda bem!

Depois que vi o resultado dessas fotos fiquei me achando maravilhosa!

Obrigada Talita, pelo convite, pela paciência, por me guiar e por esse olhar tão lindo sobre meu corpo e sobre mim!

As fotos foram feitas ontem, 26/09/2017, justamente no dia em que completamos 33 semanas. Não tinha forma melhor de celebrar!

Comecei um pouco travada, mas fui me soltando aos poucos…

Eu que nunca me imaginei usando calcinha e sutiã de renda, caí de amores por esse conjuntinho roxo!

No final das contas descobri que até consigo ser um pouquinho sensual.

Mas acho que meu forte não é o carão…

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Prefiro seguir com sorrisão mesmo!