Uma mandala das água e das matas. Uma mandala pra Janaína e Raoni.

Quem cresce em meu ventre: Janaína ou Raoni? Não que faça diferença, o amor é o mesmo… Mas a vontade de chamar pelo nome é enorme!

Enquanto isso a mamãe continua fingindo que é artista e pariu mais uma mandala, feita especialmente pra você, nosso brotinho de amor #Jara.

Uma mandala das água e das matas. Uma mandala pra Janaína e Raoni.

 

Janaína

Significa “protetora do lar”, “deusa do mar”, “rainha do mar”, “mães dos peixes”, “sereia dos rios” ou “variante de Iemanjá”… Iemanjá se originou a partir do idioma ioruba Yemoja, uma contração da expressão Yeye no oja, que possui o significado relativo à “mãe dos peixes”.

Raoni

Na língua tupi – uma das principais tribos existentes no Brasil – Raoni significa “chefe” ou “grande guerreiro”, enquanto na língua txucarramãe, dos índios caiapós, significa “onça” ou “sexo de onça”.

#vemJara #21s02d

21 semanas

Recife, 04 de Julho de 2017.

#Jara, meu amor… Sua mãe não é disciplinada. Eu tento, faço planos, me programo… Mas quando vejo fiz outras coisas, ou fiz nada…
Quando engravidei do seu irmão, comprei um livro chamado Parto Ativo. Dentre outras coisas, nele é possível encontrar uma sequência de exercícios para fazer durante a gestação. Eu disse que ia fazer. Seu irmão nasceu e eu não tinha passado do primeiro exercício (que foi de grande ajuda!).
Quando descobri que você crescia aqui decidi que ia reler o livro e colocar os exercícios em prática. Você tinha 5 semanas, no máximo.
O tempo passou, o livro lá, dores no corpo, medos, dúvidas, cansaço, mil coisas acontecendo… E eu sentindo falta de um tempo só meu e seu.
Hoje completamos 21 semanas de caminhada. O que isso significa? Que o tempo tá passando rápido ao mesmo tempo que esteja e que mais uma vez, os exercícios estavam ficando de lado.
Essa noite, depois de uma semana, dormi bem. Acordei cedo, fiz o café da manhã e sentei pra fazer os exercícios. A casa em silêncio, só se ouvia o vento, as folhas das cópias das árvores e a minha – nossa – respiração.
Não foi fácil esvaziar a mente e estar ali, de corpo e alma. Não deu tempo de fazer todos os exercícios… Mas foi o que precisávamos. Foi o começo.
Talvez seja o momento de começar a ser disciplinada.
Vou me dedicar a manter a rotina dos exercícios, a ter um tempo só nosso, a esvaziar a mente e lembrar, ou melhor, sentir que tá tudo bem, porque estamos juntos.

Te amo.

#21semanas #vemJara

Terceiro mês – 12 de janeiro

“Adolescente ou mãe em botão, a prova é enfrentar é do mesmo calibre: sair de um estado para tornar-se outrem. Ontem, era deixar a infância pela incerteza da adolescência; hoje, é deixar a liberdade de adolescente pela responsabilidade materna. Transição por águas turvas. Acho que tudo vai acabar bem. No mais tardar, em julho… Além disso, os distúrbios da gestante – náuseas, vômitos, salivação e outras mazelas de mãe – estão devidamente consignados nos manuais de gravidez, o que de certa maneira tranquiliza. Infelizmente, os livros não explicam direito as causas fisiológicas de minhas alterações internas. Gosto mesmo é da explicação popular: o que a mulher prenhe vomita é a sua ansiedade. Já não gosto muito da análise culpabilizante segundo a qual só as mulheres que rejeitam a gravidez sentem mal-estar. Há também quem diga que os distúrbios aparecem apenas em mulheres divididas, as que oscilam entre o desejo e a rejeição da gravidez. mas nem todas as mulheres são assim! Esperar um filho, carregá-lo dentro de si, fabricá-lo, imaginar sua criação, pode haver reviravolta maior? Será então de estranhar que, em dado momento, a futura mãe se pergunte se estava certa ao lançar-se em tal aventura?”

 

– Quando o Corpo Consente

Carta para #Jara – 20 semanas

#Jara, mamãe não é nenhuma artista, mas eu gosto de me arriscar nos desenhos, principalmente se for mandala…
Na terça, quando a gente completou 20 semanas de caminhada, eu tava bem instrospectivo, quieta, olhando pra mim, pra você, pra gente…
E aí, depois de muito tempo sem desenhar, nasceu essa mandala. Decidi dedicar pra você, pra gente, pra nossa trajetória.
Sei que não tá perfeita, mas a nossa relação também não vai ser. E tá tudo bem com isso.

Eu te amo.

Beijos,
Mamãe.

A metade do caminho.

Completamos 20 semanas ontem (27/06/2017), ou seja, estamos na metade do caminho – teoricamente.

O tempo passou tão rápido, ao mesmo tempo que passou se arrastando. Gestação e maternidade tem disso, o tempo voa ao mesmo tempo que rasteja; a gente quer que passe logo, ao mesmo tempo que queremos saborear cada momento.

Chico chegou há dois anos e oito meses trás pra me ensinar a parar, respirar, observar, sentir; veio pra me lembrar de desacelerar; veio pra mostrar que eu que adoro ter o controle das coisas, na verdade, não controlo nada.

O segundo filho seria planejado. Pensando nisso, o plano era começar a tentar engravidar no meio do ano. Planos… afinal, o que são planos?

Eis que em março Jara revela sua presença pra reforçar o que Chico já vem me ensinando diariamente: a vida é incontrolável. Um único descuido foi o suficiente. Filho vem quando tem que vir, uma vez me disseram… será?

Segunda gestação e tem horas que eu acho que é a primeira vez… O medo foi maior nessa do que na de Chico… a insegurança, inquietação… Tudo que não tive na de Chico, tive nessa. Vomitei um tanto, tive enjoos fortíssimos… Cheguei a duvidar de mim, do meu corpo e da minha capacidade de ser mãe de dois. Mas o tempo é um senhor sábio e colocou tudo no seu lugar: afastou monstros, medos e inseguranças e trouxe pra pertinho calma, segurança e serenidade.

Estamos no que dizem ser metade do caminho. E finalmente me sinto calma, me sinto pronta, me sinto com você… te sinto.

Você veio pra confirmar uma outra coisa que eu escutei nos caminhos da vida: amar é revolucionário! 

19 semanas e 02 dias

De uns dias pra cá a gestação tem sido mais leve e gostosa. Ainda tem o cansaço, o ciático tem doído mais do que nunca… Mas os medos e as inseguranças que me enfraqueciam e me faziam duvidar e temer o que está por vir, tem diminuído a medida que vão me fortalecendo – confuso, mas pra mim faz todo o sentido do mundo.
A barriga começando a aparecer, bebê começando a mexer, calma, paz e certeza de solidificar do e fazendo de mim morada…
E junto com tudo isso, Chico sendo Chico, essa criança tão iluminada, que me ensina tanto e que tá vivendo uma fase incrivelmente maravilhosa e que eu tô amando assistir – mas sendo sincera aqui: parece que quanto mais maravilhosa, mais pesados são os momentos difíceis hahaha (a gente ri pra não chorar).

Tá tudo bem. A gente tá bem, a vida tá se acalmando e as coisas se ajeitando. Tá tudo bem.

19 semanas e 2 dias

#vemjara #chicomaravilhoso #19s2d

Carta aos familiares e amigos de um bebê que vai chegar.

Eu sei, vocês estão todos ansiosos para conhecer o bebê, né?

E eu entendo essa ansiedade, afinal de contas vocês acompanharam todo o desenvolvimento dele, viram a barriga crescendo, a mãe enjoando, cansando e vibrando; receberam fotos e vídeos das ultras; fizeram carinho barriga da mãe (mesmo sem, na maioria das vezes, pedir ou saber se ela queria esse toque); compraram roupinhas e ouros presentes, imaginaram a carinho, o cheiro e os gestos deste bebê, né?

Mas deixa eu contar uma coisa pra vocês: a mãe também ta ansiosa pra conhecer esse bebê, e esse reconhecimento, na maioria das vezes, acontece devagar, exige paciência e pode levar alguns dias. Nem sempre é fácil se tornar mãe. Por isso eu te peço paciência. É, paciência. Respeite este tempo, o tempo da mãe e de mais ninguém. Espere ela dizer que está pronta para receber visitas e quando for, vá no dia e na hora que ela dizer ser o melhor e se ela precisar desmarcar – às vezes em cima da hora – não fiquem chateados, ela com certeza tem um bom motivo para fazer isso. Não é descaso e nem falta de respeito. Ela provavelmente está cansada, muitas vezes triste, sem dormir… O bebê pode estar irritado, não ter dormido direito.. e muitas vezes ela está com dificuldade para amamentar ou digerir o parto e não se sente confortável com visitas.

Entenda que muita coisa aconteceu com essa mulher nessas 40 semanas que antecederam este encontro e que muitas outras coisas ainda vão estar acontecendo. A cabeça e o coração ficam a milhão e além de ter que se entender com este novo bebê, ela tem que se entender com um novo corpo, com uma nova rotina, uma nova vida.

Não se preocupem, vocês vão conhecer esse bebê, porque ele, a mãe, o pai e o filho mais velho – se tiver – precisam desse amor de vocês. Mas pode demorar, tenham isso em mente. Então não apressem essa nova família, respeitem seu tempo. É muita novidade.

E quando forem, respeitem o tempo, a dinâmica e o espaço; ofereçam ajuda com as coisas práticas e guardem os palpites para vocês, lembrem-se de que se não tiver nada de positivo para falar, é melhor calar; não esperem serem recebido com lanches e casa arrumada – se isso acontecer, ótimo -, uma casa com um recém-nascido costuma ser uma casa bagunçada, em adaptação; não peguem o bebê sem pedir aos pais, respeitem seus costumes e vontades, mesmo que lhe pareçam besteira.

No final das contas, a palavra-chave quando vai se visitar uma família recém-nascida é respeito. Respeito ao tempo, espaço e escolha deles. Respeito.

, a♥♥

Aqui estamos nos preparando para receber nosso segundo baby e apesar de já ter passado por isso, vou reservar um tempo para que nossa família se adapte nessa nova configuração, nessa nova rotina. Entender o parto, estabelecer a amamentação, nos ver como quatro e não sendo mais três, descansar e me entender neste novo corpo, neste novo papel de mãe de dois.

A rotina da família toda vai mudar. Chico vai deixar de ser filho único para ser irmão mais velho, eu vou amamentar dois e Teixeira vai ter que controlar tudo isso, participando ativamente, como sempre.

E pensando no meu tempo e espaço, no nosso tempo e espaço, no bem estar da família eu digo que durante a primeira semana de vida de #Jara nenhuma visita será recebida. Foi isso que eu desejei no nascimento de Chico e não tive. Dessa vez, minha vontade, meu tempo e espaço vão ser respeitados. Dessa vez eu estou mais empoderada e consciente da importância deste tempo.

Por isso peço paciência, respeito e empatia. Assim que as coisas se acalmarem e nós nos reconhecermos nos nossos novos papeis e na nossa nova rotina, abriremos a porta de nossa casa ao amor de vocês.

 

 

ps: esse texto saiu assim, cedo (afinal de contas hoje completo 18 semanas), porque não ter este tempo e espaço respeitado quando Chico nasceu foi uma coisa que me acompanhou por muito tempo no puerpério. Eu internalizei toda essa mágoa por um bom tempo e só fui conseguir externalizar para o Teixeira com Chico perto de seus seis meses… dessa forma está é uma questão que tem estado muito acesa em mim: a necessidade de proteger e defender o meu tempo!